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Dar o melhor e ir mais longe: autonomizar as mulheres empreendedoras no Camboja

O Camboja tem utilizado o programa do QIR de modo a beneficiar de oportunidades comerciais na sequência da sua adesão à OMC, incluindo o reforço do empenho político nas reformas inclusivas e um novo quadro jurídico favorável às empresas e ao comércio. O QIR tem apoiado programas no Camboja essencialmente dirigidos ao bem-estar das empresas, mas que também exerçam impacto nas comunidades, especialmente nas mulheres.

 

Agora com planos para abandonar o estatuto de País Menos Avançado (PMA), o Camboja está a assumir uma abordagem mais inclusiva e sustentável de apoio a uma indústria empreendedora vibrante e um setor privado dinâmico. O QIR tem sido fundamental na criação do contexto adequado para o apoio dos parceiros à Ajuda ao Comércio (AfT) e no desenvolvimento de setores que contribuam para a autonomia económica das mulheres, como o da seda.  

 

No Camboja, a tecelagem de seda é frequentemente encarada como uma atividade paralela à agricultura, permitindo que as mulheres ganhem rendimentos adicionais e gerando impactos sociais positivos ao ajudar a travar os fluxos de migração e a manter intacto o agregado familiar. A seda é também uma importante fonte de emprego, calculando-se que o número de tecelões se situe entre os 18.000 e os 20.000, sendo que 98% do total são mulheres. As mulheres constituem também dois terços da força de trabalho do setor da seda do Camboja. Em conjunto com o CCI como principal parceiro de implementação, o QIR apoiou o projeto de produção de seda topo de gama feita à mão, o que beneficia as mulheres pobres das zonas rurais, a maioria das quais depende desta produção para a sua subsistência.

 

Através do apoio a 1500 tecelões e a 14 empresas detidas por mulheres em cinco mercados de exportação, o projeto da seda topo de gama cumpriu o objetivo mais vasto de autonomizar as mulheres e as raparigas proporcionando-lhes competências de alto nível na produção de seda. Como resultado, os rendimentos mensais médios dos tecelões decorrentes desta atividade aumentaram 100% entre 2012 e 2014. As 14 empresas detidas por mulheres criaram 88 novos empregos, desenvolveram 127 novos padrões de seda e aumentaram as exportações de produtos de seda do Camboja em 73% desde 2012. O crescimento das exportações resultou da conquista de novos clientes e novos mercados de exportação, da adoção de práticas de comércio justo e da subida das vendas nos mercados tradicionais.  

 

As 14 empresas receberam serviços de orientação e consultoria com o objetivo de desenvolver mais ainda os canais de vendas locais, visando os turistas, incluindo em salas de exposição, hotéis, restaurantes, aeroportos e lojas. Conquistaram também uma considerável experiência e conhecimentos no design de produtos, no planeamento estratégico das exportações, na gestão das relações com o cliente, no processamento de encomendas e no planeamento e gestão de feiras. Através do aconselhamento por parte de mentores, da identidade de marca e do desenvolvimento de produtos, as empresas remodelaram também as suas salas de exposição e lojas, estabeleceram novas relações com compradores internacionais e elaboraram novas coleções e catálogos de produtos.

 

Foram ministrados cursos de formação sobre tendências da moda contemporânea, design e desenvolvimento de produtos a mais de 40 representantes, 36 dos quais mulheres de 20 empresas de seda do Camboja.

 

O projeto financiado pelo QIR também contribuiu para angariar mercados para os produtos da seda do Camboja e facilitou a participação de representantes de empresas de seda em nove feiras e várias visitas de estudo comerciais. Esta exposição internacional ajudou os empresários do Camboja a atualizarem as suas estratégias de exportação, o que contribuiu para aumentar as vendas e aceder a novos compradores no mercado global. Os lucros das 14 empresas cresceram gradualmente de 633.933 dólares em 2012 para 1.103.908 dólares em 2015 e a margem de lucro das vendas totais passou de 46% em 2012 para 58% em 2015.

 

As parcerias têm sido fundamentais para sustentar os impactos alcançados no projeto da seda de alto valor do QIR. Foi estabelecida uma forte cooperação com as associações, como a Khmer Silk Villages, com o objetivo de desenvolver a capacidade organizacional de gerir as exportações. Estão a ser planeadas abordagens inovadoras para facilitar a comercialização da seda aos turistas durante as visitas às comunidades de tecelões, como as que são organizadas pela Artisans d'Angkor, bem como o arranque do projeto do comércio eletrónico. O aumento do know-how e da experiência das empresas do Camboja e o seu empenho em continuarem a exibir um vasto leque de produtos de seda nas feiras refletem o impacto a longo prazo no reforço do setor da seda no Camboja.

 

As redes de produtores e tecelões de seda foram expandidas através de visitas de estudo a aldeias e foi prestado apoio à política da seda através da Comissão de Desenvolvimento e Promoção do Setor da Seda a fim de assegurar que o setor da seda contribua para a redução da pobreza e a autonomia económica das mulheres. Em colaboração com o CCI e a Associação de Mulheres Empresárias do Camboja, foi lançada a Estratégia Nacional da Seda do Camboja, que visa revitalizar a sericicultura (criação do bicho-da-seda) e desenvolver um setor da seda moderno, inclusivo e sustentável no Camboja.

 

Autonomizar as mulheres empresárias através da produção de seda topo de gama é uma forma de demonstrar a resistência do Camboja às normais sociais discriminatórias. O país está a tirar partido da sua herança e dos seus recursos para deixar para trás um legado de pobreza e levar o know-how às zonas rurais, contribuindo para travar os fluxos de migração para as zonas urbanas em busca de melhores perspetivas, o que tem resultado em trabalho indigno, vulnerabilidade social e, em última análise, instabilidade social. O trabalho de superação inclusiva de obstáculos no desenvolvimento permitiu facilitar um setor privado inclusivo dinâmico para mobilizar recursos direcionados para um crescimento empreendedor e económico. O fomento da confiança e do empreendedorismo das mulheres pavimentou o caminho para concretizar os sonhos de exportação da seda no Camboja, à medida que o país entra na última fase para abandonar o estatuto do PMA e prossegue a sua jornada para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

 

“Estou muito feliz com a melhoria das minhas competências técnicas e por conseguir encontrar novos clientes. Os meus rendimentos aumentaram significativamente e quase duplicaram, de cerca de 100 dólares em 2012 para 188 dólares em 2015, graças às encomendas da Craft Village, que foram lançadas pelo Programa de Diversificação e Expansão das Exportações do Camboja - Fase I do QIR, destinado à seda de alto valor, durante uma visita aos tecelões”, Sra. Ros Sarith, Tecelã de Seda.