O turismo como forma de retirar o Pacífico da pobreza

Nesta fotografia de arquivo de 2012, uma rapariga faz pratos a partir de folhas de palmeira na praia de Bonegi, em Honiara, Ilhas Salomão. REUTERS/Daniel Munoz

Originalmente publicado na Thomson Reuters Foundation News 

A zona costeira de Port Vila, em Vanuatu, está repleta de dinamismo. Os comerciantes, na sua maioria mulheres, chamam os turistas que por ali passeiam, implorando-lhes para darem uma olhadela a um vestido caleidoscópio da ilha ou a um cesto minuciosamente entrançado.

Estas "mamãs do mercado", como são coloquialmente conhecidas, constituem a espinha dorsal de uma componente vital da economia de Vanuatu: a sua indústria turística. O turismo emprega 55% do total da força laboral de Vanuatu, representa 65% do PIB de Vanuatu e está também a ajudar as comunidades a criarem resiliência às alterações climáticas.

Veja-se a zona de costeira de Port Vila, por exemplo, que foi destruída pelo Ciclone Tropical Pam em março de 2015. Com a ajuda do governo da Nova Zelândia e do Quadro Integrado Reforçado, Vanuatu reconstruiu a zona costeira transformando-a numa área atrativa tanto para os locais como para os visitantes, construindo um palco para atividades culturais, proporcionando às "mamãs do mercado" energia e Internet e reforçando o muro da zona costeira para intensificar a proteção contra a erosão.

Prevê-se que a reconstrução da zona costeira contribua para um aumento de 36% nas chegadas de turistas este ano, o que significa mais empregos locais não somente para os operadores turísticos, mas também para os agricultores, fabricantes de móveis, esteticistas, artistas e outras profissões que sofrem um impacto direto ou indireto da indústria turística.

Vanuatu não é o único Estado insular do Pacífico para o qual o turismo é fundamental para o desenvolvimento económico e social. O Conselho Mundial de Viagens e Turismo classifica a Oceânia logo depois das Caraíbas em termos de contributo do turismo para o emprego, o PIB, a despesa nacional e as exportações dos visitantes.

As Ilhas Salomão constituem outro país que encara o turismo como uma ferramenta poderosa para diminuir a pobreza nas comunidades rurais e lançou um conjunto de medidas bem-sucedidas nos últimos anos no sentido de impulsionar um aumento da participação, especialmente das mulheres e dos jovens, no setor.

Iniciativas políticas como a Estratégia Nacional de Desenvolvimento do Turismo 2015-2019 criaram um ambiente favorável para o florescimento do turismo, estabelecendo um roteiro para uma indústria do turismo próspera no médio a longo prazo.

Desta forma foi possível oferecer oportunidades acessíveis em termos de educação nas áreas da hotelaria, viagens e turismo, das quais as mulheres beneficiaram especialmente, respondendo por mais de 70% das matrículas na Escola de Turismo e Hotelaria da Universidade Nacional das Ilhas Salomão em 2016.

No entanto, existem ainda muitas oportunidades para os Estados insulares do Pacífico tirarem partido do turismo como motor de desenvolvimento, para as quais são necessárias ações prioritárias.

Em primeiro lugar, os países necessitam de capacidades de transporte suficientes, incluindo a melhoria dos serviços de transporte aéreo e marítimo, com uma maior frequência e custos reduzidos das viagens provenientes dos principais destinos turísticos.

Em segundo lugar, a região necessita de desenvolver e reforçar as instituições educativas para melhorar as competências a nível de turismo na força de trabalho. Tal permitirá que mais locais em busca de emprego beneficiem do setor.

Em terceiro lugar, em alguns países os altos custos relativos a vistos de turista e outros serviços, bem como procedimentos rígidos à chegada, podem dissuadir os turistas regulares. Facilitar os requisitos relativos aos vistos e simplificar os procedimentos aduaneiros e de imigração é fundamental.

Finalmente, é necessário intensificar as ligações entre os turistas que chegam e as empresas locais a fim de garantir que o turismo proporciona um crescimento inclusivo. Tal pode ser conseguido ligando os agricultores locais aos hotéis e restaurantes e também através de parcerias governo-governo, como exemplifica o desenvolvimento da zona costeira de Vanuatu.

Esta conversa surge num momento importante. As Nações Unidas designaram o ano de 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, o que visa potenciar uma mudança nas políticas, práticas empresariais e comportamento do consumidor com vista a um setor do turismo mais sustentável que possa contribuir para o total dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis da ONU. Líderes de todo o Pacífico comprometeram-se com os ODS, tendo o Primeiro-Ministro das Ilhas Salomão declarado os Objetivos como o seu "derradeiro compromisso".

Ratnakar Adhikari é Diretor Executivo do Secretariado Executivo do Quadro Integrado Reforçado e Joe Natuman é Primeiro-Ministro Adjunto e Ministro do Turismo, do Comércio e dos Negócios Internos de Vanuatu.

Op-ed
Credits

Header image: In this 2012 archive photo a girl makes dishes out of palm leaves at Bonegi Beach in Honiara, Solomon Islands. REUTERS/Daniel Munoz

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